Apoio Humanizado para Migrantes
O acolhimento humanizado é um conceito que transcende o simples fornecimento de abrigo para aqueles que estão em situações de vulnerabilidade, especialmente migrantes e refugiados. O apoio humanizado vai além do material, buscando atender às necessidades emocionais, sociais e psicológicas dos acolhidos. A Casa de Passagem Esperança, localizada em Porto Velho, é um exemplo exemplar dessa abordagem. Em parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), a Casa se dedica a criar um ambiente acolhedor, onde cada migrante e refugiado é tratado com dignidade e respeito.
Esse acolhimento não se resume apenas a fornecer um lugar para dormir. É uma iniciativa que busca dar suporte integral. A equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogos e educadores sociais trabalha incansavelmente para avaliar as necessidades individuais de cada acolhido. Isso envolve desde a entrega de alimentos até a orientação sobre como acessar serviços públicos e amparo psicológico. O resultado desse trabalho é a promoção do bem-estar coletivo e a construção de uma comunidade mais solidária.
Dados Impactantes do Acolhimento
Os dados referentes ao acolhimento na Casa de Passagem Esperança são impactantes e falam por si mesmos. Nos últimos três meses, 148 migrantes e refugiados receberam atendimento, com uma média de 49 acolhimentos mensalmente. Esses números não apenas evidenciam a demanda, mas também a eficácia da política pública implementada. O serviço, que possui a capacidade de acolher até 50 pessoas simultaneamente, demonstra um resposta robusta à crescente necessidade de suporte diante da inflação de pessoas em situação de vulnerabilidade social em Porto Velho.

O perfil dos acolhidos é igualmente revelador. A maioria dos atendidos provém de países da América Latina, destacando-se os venezuelanos, mas também existem acolhimentos de grupos de diversas nacionalidades, como colombianos, peruanos e até de países da África como Eritreia e Libéria. Esse contexto reforça a importância da integração social, mostrando a necessidade de um acolhimento que não só permita a estadia, mas também a inclusão desses indivíduos na sociedade brasileira.
Perfil dos Acolhidos: Quem São?
O levantamento do perfil dos acolhidos revela uma realidade complexa e multifacetada que merece atenção. Entre os acolhidos na Casa de Passagem Esperança, encontramos uma amostra da diversidade social e cultural presente no Brasil. No total de 148 acolhimentos, 92 são homens e 56 são mulheres, refletindo a necessidade de abordagens diferenciadas para atender às especificidades de cada grupo.
Além da distinção de gênero, a faixa etária dos acolhidos é preocupante e também oferece um insight sobre a situação da migração. Entre os acolhidos, 47 são menores de idade, incluindo adolescentes, e quatro são idosos. Isso exige um olhar atento às matérias de proteção, abreviando por um acompanhamento mais rigoroso. Os núcleos familiares também representam uma parte significativa dos acolhidos, com 29 casos. Esse dado é vital, pois confirma a presença de famílias em busca de segurança e dignidade, ressaltando a urgência de políticas de proteção social que atendam a essas dinâmicas.
Estrutura e Serviços da Casa de Passagem
A Casa de Passagem Esperança se destaca por sua estrutura robusta e pelos serviços que oferece, alinhados às necessidades dos migrantes e refugiados. A casa possui capacidade para acolher até 50 pessoas, proporcionando uma infraestrutura que abrange desde dormitórios até áreas de convivência. Essa disposição é essencial para criar um ambiente que promove a interação social e a acolhida respeitosa.
A equipe multidisciplinar da Casa é um dos maiores diferenciais desse serviço. Com profissionais como coordenadores, assistentes sociais, psicólogos e educadores sociais, todos estão devidamente preparados para oferecer um suporte total aos acolhidos. Isso se reflete na ampla gama de serviços, que vai desde acolhimento e alimentação até encaminhamentos para serviços públicos e assistência médica.
Durante um período recente, a Casa de Passagem já distribuiu quase 7.000 refeições, além de diversas doações de roupas, calçados e itens de higiene. O enfoque na dignidade dos acolhidos é notável, reforçando que o atendimento humanizado deve garantir não apenas o básico, mas também acesso a condições essenciais de vida.
Alimentação Saudável para os Acolhidos
A alimentação é um dos pilares fundamentais no acolhimento de migrantes e refugiados, e a Casa de Passagem Esperança entende bem isso. As três refeições diárias servidas são preparadas com muito cuidado, garantindo que sejam saudáveis e balanceadas. A metodologia de trabalho inclui um planejamento rigoroso no cardápio, que deve atender às necessidades nutricionais dos acolhidos e respeitar as diversidades culturais.
A escolha dos alimentos reflete não apenas uma preocupação com a saúde física, mas também uma intenção de confortar emocionalmente aqueles que atravessam situações difíceis. O ato de se sentar à mesa para uma refeição, especialmente em um ambiente acolhedor, é uma prática que contribui para a construção de vínculos e promoção de um sentimento de comunidade.
Além disso, a distribuição de alimentos, como a destinação de cerca de 737 doações, demonstra o empenho da Casa em garantir que todos os acolhidos tenham acesso a recursos básicos que muitas vezes são escassos em situações de deslocamento forçado.
Atendimento Psicossocial: Cuidado Emocional
O cuidado emocional é um aspecto imprescindível na trajetória de migrantes e refugiados, e a Casa de Passagem Esperança oferece um serviço completo nesse sentido. Durante o último relatório, 141 acolhidos receberam atendimento psicológico, com 62 atendimentos individuais realizados. Esses serviços são essenciais para ajudar os acolhidos a lidarem com traumas e inseguranças, muitas vezes advindos da migração forçada e das situações de violência enfrentadas em seus países de origem.
As 18 ações de reflexão e psicoeducação realizadas no período foram fundamentais para proporcionar momentos de escuta e compartilhamento, essenciais para a recuperação emocional. Uma abordagem que promove a reflexão coletiva contribui significativamente para o fortalecimento da comunidade interna da Casa, criando laços de empatia entre os acolhidos.
Além disso, os encaminhamentos para unidades de saúde são realizados com rigor, atendendo as demandas específicas de saúde mental, garantindo que cada acolhido tenha acesso ao suporte necessário para estabilizar sua saúde mental e emocional. Essas integrações entre serviços de saúde e assistência social são fundamentais para a criação de uma rede de suporte efetiva.
Promovendo Autonomia e Trabalho
Um dos principais objetivos da Casa de Passagem Esperança é promover a autonomia e a reintegração dos migrantes e refugiados na sociedade. Isso se reflete nas ações voltadas para a inclusão no mercado de trabalho. A equipe se dedica a fornecer orientações para a confecção de currículos, prática de entrevistas e até na busca por oportunidades, tanto formais quanto informais.
Os números são encorajadores, com 200 currículos elaborados, 33 inserções no mercado de trabalho formal e 65 no informal. Isso revela que o empoderamento é um processo efetivo, indo além do acolhimento e proporcionando ferramentas para a construção de uma nova vida. Um novo possível recomeço é sempre pautado na dignidade e no respeito às individualidades.
A site da Casa de Passagem também desempenha um papel ativo na busca por áreas de moradia. Ao estabelecer 18 casos de famílias que conseguiram alugar um espaço, a instituição não apenas ofereceu uma assistência momentânea, mas facilitou a construção de novos laços e possibilidades para esses migrantes.
Histórias de Novos Recomeços
Além dos números, os relatos de novos recomeços são o verdadeiro testemunho da transformação que a Casa de Passagem Esperança é capaz de proporcionar. Os relatos de acolhidos que conseguiram se reintegrar na sociedade, recuperar a dignidade e encontrar novas oportunidades de vida emocionam e inspiram. Entre os 103 acolhidos que foram desligados do serviço nos últimos meses, cada história é única e reflete a diversidade de experiências enfrentadas.
A importância dessas histórias vai além do aspecto individual. Elas representam a luta coletiva por dignidade e inclusão, uma verdadeira fonte de esperança. Para muitos, a Casa se tornou um lar temporário, mas, principalmente, um espaço de reconstrução de identidade e de pertencimento em um novo contexto.
Os dados mostram que 112 acolhidos estavam em trânsito, indicando que a Casa de Passagem também desempenha um papel em movimento, acolhendo aqueles que necessitam de um momento de pausa antes de prosseguir suas jornadas. As histórias de quem decide permanecer em Porto Velho refletem a construção de novos projetos de vida, onde a assistência se transforma em um suporte constante.
O Papel da Comunidade no Acolhimento
A comunidade desempenha um papel vital no acolhimento de migrantes e refugiados, e a Casa de Passagem Esperança fomenta essa relação ao promover a integração social. Iniciativas que integram a população local com os acolhidos são fundamentais para a construção de laços e para o desenvolvimento de um ambiente de empatia e solidariedade. Muitas vezes, os desafios enfrentados pelos migrantes se tornam também uma oportunidade para a comunidade local se envolver e agir.
O envolvimento da comunidade é essencial, pois fortalece a rede de suporte aos acolhidos. A Casa realiza ações sociais que promovem interações entre acolhidos e a população local, criando espaços de diálogo e troca de experiências. Atividades culturais e workshops sobre os desafios da migração são realizados para proporcionar um entendimento mais profundo sobre as realidades enfrentadas pelos migrantes e o enriquecimento cultural que trazem consigo.
Tais interações promovem um ambiente onde o acolhimento não é percebido como um ônus, mas como um ato de solidariedade que também beneficia a sociedade como um todo. Criar uma comunidade mais acolhedora e aberta à diversidade é uma construção coletiva, que se fortalece com ações concretas e envolvimento ativo.
Resultados e Futuro da Casa de Passagem
Os resultados alcançados pela Casa de Passagem Esperança são um testemunho da efetividade de sua abordagem humanizada. Com um total de 148 acolhidos numa média mensal de 49, cada acolhimento é um passo em direção à inclusão e ao fortalecimento de vínculos sociais. O futuro da Casa é promissor, mas depende de investimentos e de um compromisso contínuo com a causa migrante.
As parcerias com instituições como a ADRA e outros órgãos governamentais serão cruciais para ampliar a capacidade de atendimento. O acompanhamento após o desligamento é uma das metas a serem aprimoradas, assegurando que ex-acolhidos tenham acesso contínuo a oportunidades e suporte.
A Casa de Passagem Esperança não é apenas um refúgio temporário; é uma ponte para um futuro mais promissor para migrantes e refugiados. A experiência acumulada até agora fornece um alicerce robusto para continuar avançando em direção a um modelo de acolhimento que prioriza a dignidade humana e efetiva a inclusão social.
